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:: 03.SET.2010
   
 
Matmos joga baralho e rói pedra de gelo no álbum de Björk
 

Matmos captando sons na sala de cirurgia

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Matmos captando sons na sala de cirurgia Matmos captando sons na sala de cirurgia Martin Schmidt
Performance de Matmos Marcas para cirurgia plástica Marcas para cirurgia plástica
Performance de Matmos

 

  Dupla começou fazendo trilha sonora pornô
A dupla Andrew Daniel e Martin Schmidt, aka Matmos, é a nova sensação da música eletrônica experimental. Além do lançamento do álbum "A Chance to Cut is a Chance to Cure", Matmos atraiu a atenção da mídia ao ser convidado para abrir e tocar na turnê "Vespertine".

A dupla praticamente entrou em pânico quando Björk fez seu convite para a turnê. "Ficamos muito hesitantes quando ela disse: ‘Vocês vão estar na minha turnê?’", lembra Daniel. "Eu disse: ‘Bem, nós não somos muito profissionais, nós realmente não sabemos o que estamos fazendo; nós só sabemos tocar nossa música. Você está certa disso?" E Ela respondeu: "Não tem problema, eu gosto do jeito como vocês fazem música. Se vocês não conseguirem fazer algo, encontraremos alguém para fazê-lo". "Foi assustador, pois eu não queria estragar as músicas dela", revela Daniel.

No show, a dupla faz as batidas e as linhas de baixo e guitarra. "Também produzimos muitos efeitos sonoros", diz Daniel. "Numa canção onde o ritmo é o som de passos, temos uma caixa de madeira cheia de pedras de sal; caminhamos sobre as pedras ao vivo na frente de um microfone que projeta o som dos passos", conta. Entre as 11 faixas do álbum "Vespertine", Matmos está presente em cinco. "As canções já estavam quase prontas quando nos envolvemos no álbum", diz Daniel. "Não é Matmos com Bjök cantando e sim Björk com flashes e pitadas de Matmos", esclarece.

"Quando o álbum estava quase pronto ela nos chamou e perguntou: "Hey, vocês querem participar desta música?" Então fizemos muita coisa no primeiro single ‘Hidden Place’. Ela gostou tanto que nos deu mais músicas, foi um efeito bola-de-neve", explica Daniel. "Chegamos com novos sons como de uma pedra de gelo que quebramos e roemos; também jogamos uma partida de pôquer e sampleamos os sons das cartas sendo embaralhadas".

Em 99, a dupla lançou "The West", um disco considerado estranho para a dupla, mas o que mais agradou os fãs. "Ele nasceu organicamente do som das pessoas que estavam em nossa casa por conta de um casamento de um amigo". E o álbum saiu como um documento sonoro da fantasia americana, uma colagem de sons das estradas entre São Francisco e L.A.. E nessas colagens há espaço para o banjo, instrumento predileto de Schmidt.

Em 98, Matmos lançou seu primeiro álbum "Matmos". Depois, no mesmo ano, foi lançado "Quasi-Objects", que começou a definir o que viria a ser a marca registrada de sua técnica de combinar sons ambientes, manipulação digital e instrumentos tradicionais de música. Neste patchwork sonoro cabem balões, almofadas infláveis que apitam, walkie-talkies e t-shirts de látex molhadas. "Muito material é captado do corpo humano como sons de assobios e beijos". No primeiro álbum, a dupla abusou de guitarras, sons de cabelos cortados à faca, amplificação do sistema neural dos camarões de água doce, voz humana, muitos sintetizadores e baterias eletrônicas.

Antes de fazer sucesso, a dupla compunha trilha sonora para filmes pornô de "fist fucking". "Nós começamos fazendo muito mais do que eles esperavam de uma trilha sonora pornô. Depois da terceira, percebemos que eles estavam se lixando para os nossos sons", diz Schmidt. "E eles precisavam de muita trilha; chegávamos a produzir 100 minutos de música por semana. Foi assim que começamos a usar loops".

31.10.2001

JACKSON ARAUJO
     
 
/ Matmos
Tratamento carinhoso Nós chamamos ela de B.; cansamos de tentar pronunciar a palavra Björk.
Remixes The Spacewurm, Kid 606, Cornelius, Pole, Labradford, Solex, Sutekh, Pluramon, Lucky Kitchen, Slicker, Slag Boom Van Loon, Richard Coleman Devine, Otomo Yoshihide, Void, Cat Power, Pavement e The Jon Spencer Blues Explosion.
Como se conheceram Schmidt tocava numa banda industrial que se apresentava no bar em que Daniel trabalhava de cueca como go-go boy. Daí rolou uma troca de gravações em cassete de ''noise art''.
Arte conceitual? Não procuramos seguir esse rumo, mas, inevitavelmente, continuamos um diálogo que começou nos anos 60 com toda aquela coisa da body art.
Os estudos de Daniel Estou estudando a Renascença e minhas dissertações tratam da melancolia na pintura, artes visuais e literatura entre 1580 e 1630.
     
 

 

   

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