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Médico infectologista conta da pesquisa de combate
à Aids no Brasil e procura voluntários
Ninguém precisa esperar até o 1° de dezembro, Dia Mundial da Luta Contra a Aids pra se engajar no combate e prevenção à doença. Médico infectologista da Faculdade de Medicina da USP, o dr. Esper Georges Kallas veio à House na última semana contar de dois projetos de pesquisa relacionados ao Brasil, na tentativa de combater a epidemia.
O primeiro deles, que acontece desde 2000 em centros de pesquisa de vacina de HIV, pretende desvendar se o uso de medicamentos usados no tratamento da doença pode ajudar na prevenção da transmissão. "A gente parte do princípio de que existem alguns exemplos em que o uso do remédio previne doenças, como a malária, por exemplo", contou Esper.
O estudo ganhou o nome de Iprex (saiba mais no iprex.org.br), patrocínio de uma série de institutos de saúde dos EUA, co-financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates e acontece em onze cidades do mundo, de SP e Rio a Boston, São Francisco, Lima, Quito, Cidade do Cabo e Bangcoc.
Na etapa em que está no Brasil, o Iprex precisa reunir um grupo de maiores de idade, homens, travestis ou mulheres transexuais que tenham praticado sexo com gente destes grupos e que não tenham infecção por HIV nem hepatite B. "Eles vão receber aconselhamento vigente sobre transmissão de Aids e outras DSTs, camisinha etc. além de serem submetidos à pesquisa", explica o dr. Esper.
"Metade recebe um placebo e outra metade o remédio propriamente dito. O acompanhamento deve acontecer durante um ano e pretende verificar se o grupo que recebeu o remédio terá ou não menos incidência de contágio." As inscrições podem ser feitas AQUI.
"Atualmente no Brasil cerca de 10 mil pessoas morrem todo ano de algum problema em decorrência da Aids. A maior parte destas pessoas é de gente que contraiu o vírus há bastante tempo e que já desenvolveu resistência ao remédio e de gente quer descobre muito tarde a doença", continua Esper, que recomenda fazer o exame de HIV uma vez ao ano. "Com isso você perde o tabu de fazer. Não se deve perder nenhuma oportunidade. Se você vai fazer exame de sangue, aproveita e faz o de Aids. Um teste que você faça um ano antes pode salvar sua vida", reforça. O site EP apóia totalmente este projeto, e na última SPFW aproveitamos para fazer o teste ali mesmo no espaço do Ministério da Saúde, incluindo Erika Palomino, que participou da ação a convite do governo, juntamente com outros nomes da moda como Gloria Kalil e Lino Villaventura.
Segundo o médico, estimativas no Brasil apontam que 700 mil pessoas tenham o vírus e que apenas metade delas tenham consciência disso. Claro que a camisinha é o melhor método de prevenção.
Uma segunda frente da pesquisa, parada por falta de verba (eles precisam de mais R$ 1 milhão), é a de criação de uma vacina mesmo. "O desafio é maior do que imaginávamos há dois anos atrás", finaliza. 02.06.2009
SERGIO AMARAL