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Dana Thomas culpa conglomerados, fala bem da Daslu
e não vê motivo pra apavoramento na crise
A jornalista Dana Thomas deu um rasante em São Paulo nesta terça (28.10), mais precisamente na Daslu, para dar uma palestra sobre seu livro "Deluxe: Como o Luxo Perdeu o Brilho", a convite do Luxury Market Council.
Durante uma hora de conversa, ela levantou vários aspectos do atual mercado de luxo. "A missão deste trabalho é fazer com que as pessoas parem de comprar produtos falsificados. Não ter uma peça pelo que ela representa e sim pelo que é, pelo material", disse Dana.
A norte-americana passou três anos em pesquisa para este livro e foi a lugares como China e Indonésia para pesquisar todo o processo de falsificação. E destaca o fato de as próprias empresas vulgarizarem o luxo.
"Há 20 anos as maisons eram consideradas um negócio pequeno. Com o passar do tempo, começaram a fazer parte de conglomerados e a classe média virou o principal alvo. Ou seja, fabricação de acessórios mais baratos para democratizar o luxo e torná-lo acessível", afirma. 29.10.2008
Confira a seguir a opinião da expert sobre a crise da economia global e o luxo, os impérios intactos e a própria Daslu
IMPÉRIOS (AINDA) INTACTOS
A Hermès conseguiu aliar o poder da família fundadora com o dos empresários. Os dois lados trabalham juntos e a marca mantém a tradição e o preciosismo na fabricação de seus produtos. "Se a família diz que vai continuar a fazer as bolsas Kelly à mão, os acionistas têm que acatar porque ela é a maior detentora da empresa", explica Dana.
Para ela outros dois designers se destacam nesse nicho: Tom Ford e Christian Louboutin. "Tom me disse que não vai procurar investidor externo porque passou por poucas e boas quando estava na Gucci. Agora o nome dele está na etiqueta e vai protegê-lo de qualquer desvalorização."
O caso de Christian Louboutin segue a mesma linha da exclusividade: ele é bem-sucedido, é dono do negócio propositadamente pequeno e depois de 15 anos tem somente sete lojas e 35 funcionários. "Louboutin não tem idéia de quantos sapatos ele vende. Luxo não é consumo, é educação para os olhos de quem aprecia um produto. Ele faz questão de atender aos clientes, estar sempre na loja, a receptividade é fundamental e ele mantém isso."
DASLU
Dana elogiou a atuação de Eliana Tranchesi à frente da Daslu. "Embora tenha mudado de endereço e o lugar tenha uma aparência pomposa, quando você entra na Daslu o atendimento é impecável. A Eliana atende aos clientes, fica perto do negócio, não vai pra uma mesa de escritório. E outra, não existe uma Daslu em outros lugares, somente aqui em São Paulo. Ela mesma cuida de seu patrimônio".
CRISE
Todo esse abalo no mercado financeiro também vai abalar o mercado de luxo. "Os negócios cresceram tanto nesses últimos tempos que as pessoas acabaram achando normal isso, mas não é a regra, é a exceção", afirma. "E as empresas de luxo vão perceber que esses tempos áureos podem não voltar mais. O luxo é o fora do normal, é especial porque não temos todos os dias. Agora vamos ter que nos satisfazer com menos", recomenda.
LUCIANE ANGELO
Leia entrevista em que Dana Thomas descreve sua primeira experiência de luxo revela um serviço que empresa nenhuma poderá entregá-la