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Editores de moda fazem desenhos, registram idéias e
chochos, mas muitos dispensam o famoso bloquinho...
INVERNO 2008 - Quem nunca quis dar aquela espiada no bloquinho das editoras e editores na primeira fila dos desfiles. Como curiosos que somos, pegamos alguns dos jornalistas que cobrem a SPFW e fomos conferir o que eles estão escrevendo no escurinho das salas. A abordagem, um tanto delicada, exige um bocado de cara-de-pau. Mas lá fomos nós...
Superorganizado, o bloco de Gloria Kalil é de poucas palavras e muito croqui. "Para mim desenhar é mais fácil do que escrever. Vou vendo o desfile e desenhando o formato das peças. Ao lado deles anoto as cores e nas roupas de que mais gosto faço um 'x'", explica a editora do chic.com.br e apresentadora do quadro "Etiqueta Urbana", do "Fantástico".
No bloco de Alcino Leite Neto, editor de moda da "Folha de S.Paulo", tem de anotações críticas do desfile a idéias e pautas para suas matérias. "Quando me chama muito a atenção, escrevo a parte técnica. Tem desfiles, como o de Alexandre Herchcovitch, em que chego a escrever até seis páginas!", conta o jornalista. "Em outros não escrevo nada _por não ter o que escrever mesmo!"
Em tempos de inovações tecnológicas, tem quem já tenha aposentado o bloco de anotações. Lula Rodrigues, jornalista de "O Globo" e criador do homempontocom.com.br, usa uma câmera Sony Handycam HDD de alta definiação, com 30 gigas de memória e mais dois de espaço pra fotos de seus looks favoritos.
"Hoje em dia as imagens falam mais alto do que a escrita", diz Lula. "Com esse formato consigo fazer matérias detalhadas e fazer um balanção de roupas masculinas, com tudo o que rolou na temporada", continua. Os vídeos de Lula, entretanto, têm uma desvantagem: ocupam um espaço igualmente giga no HD! "Estou fazendo um megaarquivo dos desfiles, meu laptop está engordando", brinca.
Já a papisa Costanza Pascolato não anota nada. "Como não estou fazendo nenhum trabalho escrito, não preciso usar bloquinhos, tenho um olhar mais global da coleção. Evidentemente não me lembro de tudo, mas outro dia fiz um texto e fiquei surpresa com a quantidade de informação e detalhes que estavam lá", empolga-se.
Para ela, anotar já foi um ótimo exercício: "Depois de um tempo a gente aprende a escrever somente as palavras-chave, resumindo as principais idéias. É bom porque força você a enriquecer seu vocabulário".
Susana Barbosa, editora de moda da revista "Elle", também dispensa o bloco. "Estou sempre revendo as fotos, tenho as repórteres que pegam as informações para mim. O meu bloco está aqui na bolsa, branquinho", diverte-se. "As anotações são mais importantes para as pessoas que saem da sala de desfile e vão correndo escrever as matérias", avalia. No entanto, ela tem todo seu material organizado nas gavetas de sua sala. "Imprimo no Fotosite os looks de acordo com as tendências e coloco lá, quando preciso de algo é só olhar", conta.
Erika Palomino gosta de ter um caderno grande e único para cada temporada, e costuma guardar todos _ainda que não saiba direito onde eles vão parar... "Meu caderno é uma bagunça, como tudo o que é meu", ferve. Em suas anotações ela privilegia impressões, idéias e emoções, coisas que possam ajudar depois na hora em que for escrever a matéria, que escreve de cabeça.
"Consulto bloco e release como complemento e pra ver se não estou esquecendo alguma coisa importante e pra mencionar os materiais direito. Quando já tenho a tese na minha cabeça chego a escrever frases inteiras, que depois uso no texto. Quando não anoto nada geralmente é porque estou odiando. Quando fecho o bloco no meio é porque já desisti do desfile!", revela a editora, que tem como hábito sempre anotar o nome da primeira modelo que entra na passarela. 19.01.2008
JENIFFER PERLMAN
NA FOTO, GLORIA KALIL EXIBE SEU CADERNINHO