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Com muita aventura, romance e moda, dona Gabriella
Pascolato conta sua vida em livro
Que o Brasil não tem memória todo mundo sabe. Que faltam livros sobre quem ajudou a construir a moda brasileira idem. Por isso, e por muito mais, é essencial a obra "Gabriella Pascolato - Santa Constância e Outras Histórias", pela editora Jaboticaba com texto do jornalista Sergio Ribas.
Quem trabalha no mercado conhece e respeita Dona Gabriella _que modestamente costuma se apresentar como "mãe da Costanza". O que este livro traz são detalhes e particularidades que muitas vezes escapam até mesmo para quem é da família.
E a fenomenal história de vida e fibra dessa italiana desde criança arretada já mereceria por si uma biografia _ainda mais no Brasil, cujo povo se formou a partir de um mix racial único no planeta e pela importância dos imigrantes na cultura, na economia e no desenho das cidades.
Mulher à frente de seu tempo, nascida em berço aristocrata na região do Piemonte, viveu primeiro em fazendas; internatos de elite em Florença, e em escolas e palazzos em Veneza.
Lá conheceu o influente advogado Michele Pascolato, o Miki, de intensa atuação política e diplomática, com quem viria a se casar para morarem juntos em Roma até que a situação se complicasse de modo insustentável, quando a guerra acabou e começaram as perseguições ideológicas.
Em fuga cinematográfica, dona Gabriella pegou pelo braço Costanza, Alessandro e a sensacional babá Blanche, escapando da Itália, atravessando a Suíça e conseguindo embarcar todos num navio para a América do Sul e aportando no Rio.
A narradora usa diversas vezes, ao longo do livro, a expressão "sem saber de onde arrumei coragem". Intuitiva, extremamente estudiosa e inteligente, ela simplesmente ia e fazia. Não à toa que logo nas primeiras das 256 páginas deste verdadeiro romance histórico, o "quote" da biografada antecipa: "Não tenho mais medo de nada".
Que belo exemplo. E sem perder o humor ou descer do salto. Mesmo nas situações mais complicadas ela se divertia. Dona Gabriella relata com leveza de como se inventou como dona de tecelagem sem jamais ter visto um tear, foi a primeira representante dos sapatos de seu amigo Salvatore Ferragamo, inspirou Emilio Pucci e frequentou o efervescente círculo dos Matarazzo e da alta sociedade paulistana.
Acompanhar as travessuras da pequena Costanza, e depois seu desabrochar na moda, tem gosto todo especial para os fãs e fashionistas, servindo de aperitivo para o livro sobre ela que deverá estar pronto para seu aniversário, em setembro.
Last, but not least, Dona Gabriella, aos 90 anos, não é dessas pessoas que vive no passado. Ao contrário, participante e trabalhadora, ela faz do hoje seu tempo, observando com curiosidade mil e nostalgia zero as mudanças no mundo, no Brasil, na moda e em sua própria e especial família.
ERIKA PALOMINO
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