09.fev.10

FASHION VIEW


FASHION - FASHION VIEW

Daspu faz o evento de moda mais
instigante da semana no Rio

Performance da ONG Davida pára a praça Tiradentes, no Centro 

INVERNO 2006 - Num mix de moda, arte, cultura de rua e projeto social, o desfile da marca Daspu reuniu fashionistas, antropólogos, sociólogos, prostitutas e muita gente fervida na praça Tiradentes, centro do Rio, no início da noite desta sexta (13.01). Tipo histórico. "É o primeiro projeto social que faço de coração", disse Betty Lago, que desfilou para a marca. Foi o evento fashion mais relevante da temporada.

A movimentação começou por volta das 18h, com o bloco de samba Prazeres da Vida animando geral no meio da rua Imperatriz Leopoldina, tradicional região de prostituição da cidade. Com um copinho de cerveja na mão, Gabriela Leite, organizadora da ONG Davida e dona da marca, explicava a iniciativa do projeto para imprensa e curiosos. "Precisávamos criar uma iniciativa sustentável para a ONG, já que não temos financiamento das grandes empresas, que não querem associar o nome à gente", explica Gabriela, notificada judicialmente pela Daslu por estar "denegrindo a imagem" da megaloja de luxo paulistana.

Enquanto isso, na suíte D do hotel Nicácio, as meninas se preparavam para a grande noite. "O make é básico, pra combinar com tudo, até jeans e camiseta. No cabelo faço só escova", adiantou a atriz de teatro Ana Tavares, que ajudou as amigas no make e hair. E Betty Lago ficou num cantinho da cama fazendo a própria maquiagem. "Somos todas prostitutas. Já vendi batom e roupas; hoje vendo minha imagem para uma ação que acredito. That's fashion, baby", divertia-se.

A performance rolou em parceria com o Instituto Hélio Oiticica, a galeria Gentil Carioca e o coletivo Imaginário Periférico. "Vamos criar um espaço democrático. Abrimos o desfile com os parangolés, a banda Hapax se apresenta ao vivo e a associação Beijo de Rua distribui camisinhas. Tudo o que vem da rua é bem-vindo. Podem entrar na passarela vocês também", convidou César Oiticica Junior, sobrinho de Hélio Oiticica e responsável pelo instituto HO (Hélio Oiticica).

Na passarela improvisada na rua, a multidão se acotovelava à espera do evento. "Só de atrair essa mídia toda já é um sucesso. Mas é apenas um começo ainda, o Brasil será um outro país quando perder o preconceito contra as prostitutas; é esse o objetivo delas", avaliou a antropóloga Thais Danton Coelho, uma das espectadoras.

Por volta das 21h, já em clima de ferveção total, as prostitutas e Betty Lago apresentaram as nove camisetas da marca entre as intervenções dos coletivos, para um público extasiado. A simplicidade das peças não intimidou geral, que aplaudia, dançava e desfilava junto. A noite terminou em uma catarse coletiva, um Carnaval, uma rave de rua... O Brasil. 13.01.2006

ANDRÉ DO VAL
FOTOS DANIEL PINHEIRO

Como fazer um parangolé, por Hélio Oiticica

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Leia o artigo original em: http://www.erikapalomino.com.br/erika2006/fashion.php?m=207